terça-feira, 29 de novembro de 2011

Passagem

Passaste por mim como uma eletricidade

Afiada, cortante, inesperadamente;

Por entre os labirintos de fósseis e as cruzes

Pelos alicerces e pelas estruturas metálicas

Passaste com fúria, rachando os pisos,

causando levantamentos geológicos

desorganizando, colocando tudo pelo avesso (enviesando)

E hoje, olho os fragmentos e os cacos que antes fui

Olho-os como se fossem estrangeiros a mim

Olho-os e não me reconheço ali

Olho-os com desconforto

Quem dera que aqueles pequenos “eus” que ali estão

Pudessem ser varridos para debaixo do tapete

Quem dera o “eu” pudesse ser esse novo que surgiu

Que depois de sua passagem abotoou uma nova roupa a saiu decidido pelo mundo

Esse novo é mais sincero, é mais sereno

Esse nasceu daquela passagem, daquela ventania, daquele terremoto

É esse que vou regando, vou alimentando, cuidadosamente

Esse, que sem a sua passagem seria ainda aquele

Que deixei enterrado no caminho.

Para L.

O meu motivo

Já tarde escrevi os meus versos

Faltavam-me motivos, vontade, desejo

Só agora encontrei o motivo, a vontade, o desejo

Sim, o singular motivo dos meus versos

E em cima desse sonho edificarei minhas palavras

Numa arquitetura sublime e única...

Nesse motivo desenharei e construirei meus castelos, meus templos

Decorarei, então, com luzes, pedestais e ornamentos felizes

Para que então o meu motivo entre e se sinta à vontade, se sinta especial como eu o sinto

E permanecerei zeloso na porta do templo,

para que mácula nenhuma venha manchá-lo

e falarei dele com carinho, tanto e de tal modo

que encontrarei descrença na face de quem ouve

e quando enfim, eu já for mudo

quando o tempo me alcançar, na inevitável na angústia de quem vive

o meu templo, o meu castelo, continuará ainda vivo

nos meus versos tardios, na minha voz gravada

vivo e mantendo vivo o meu motivo

motivo dos versos, motivo da vida.

L.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Em noites muito escuras

Com saudades da mesma cor

Afagando nostalgias

Primeiro tão pequenas, nascem, são tímidas

Mas logo ganham corpo

Passos firmes, e rapidamente estão no céu.

 


Meu espírito se recolhe

Não me entendo

Estou em atrito


Caminho e não confio nos meus passos

Paro, olho pra trás, o que procuro?

Não sei, talvez procure por mim mesmo

Que fiquei pra trás

em outro momento, em outro passado


Logo lembro que tenho pressa

Não sei aonde vou

Mas tenho pressa


Sou homem maduro

Sou racional


Meus pés doem

Paro, descanço

Por que cansei?

Descanço por quê?


É triste pensar no vazio

Na vida, nos próprios pensamentos

Sair e pensar no que pensou


Na verdade, não sei se escrevo pra lembrar, pra não esquecer

Ou se escrevo justamente pra esquecer

Tirar da cabeça, botar no papel

Tirar o peso da mente


A tinta, o papel, esses sim são fortes

Sutentam, aguentam tudo, emprestam suas  forças


Deixo presas nas linhas as idéias de homem

Os porquês e incertezas de homem

Pra lembrar ou esquecer, sei lá

Sei que deixo, mas  por que não sei.

W.O.




quarta-feira, 20 de junho de 2007

porque fui te encontrar naquele dia?
Porque, se vivia feliz e se sorria.

Vieste envolta em àguas turbulentas
turvando tudo em seu caminho
E me encontrando assim, sozinho...
Furtou sem compaixão a minha paz

E assim como chegou partiu
Rápida, súbita, de repente
Sem se importar que aqui fiquei tristemente
No desejo incontrolável de um vício

Levaste contigo a forma, a cor e os meus sonhos
E neste dia o meu templo desabou
Ando vago, ermo, sou tristonho
Naquele dia meu sorriso me deixou.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Vence essa força estática que te domina
ultrapassa o obstáculo assaz que te constringe
Ó ser lívido, com medo do futuro

Corta as tuas ilusões pela raiz
foge já, desse deserto de idéias
fareja o ar como um animal treinado

Mesmo que o teu plano esteja todo errado
Mas tenta, persiste, busca a perfeição
E não adianta essa ilusão
enterrada num terreno infértil

Tu és parte de um círculo infinito
abençoado pela eternidade
Aproveita então tua mocidade
E solta de vez o teu profundo grito

Dá a tua alma essa paz, esse alívio
E comfortado por um prazer ubíquo
Segue os bons exemplos do passado

E na certeza do dever cumprido
Vê o teu nome escrito de verdade
nas páginas douradas da eternidade.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Renovação

Na terra e no espaço infinito
Ouço sempre, incessante, o mesmo grito que diz:
Que da inércia me afaste sempre;

É míster que distante das almas estacionadas
Busque o bebedouro pra matar a sede
Atávica, de tempos inimagináveis

Que as catedrais e os templos que em mim construi
Possam ter uma renovação constante
E eu possa levar esse plano adiante
E até em sonhos esse plano eu vi

Nesse marcha eterna a brandir os gládios
Uma vitória é o caminho pra outra vitória
E nunca, jamais, nesta história
Cesse a alma de querer sempre mais

O amanhã vence sempre o hoje
E nessa verdade encontro o ponto exato
Algo entre o bemol e o sustenido
eis a revelação que o mundo me trouxe

E na promessa de um arrebol divino
Surge em mim um sorriso de menino
Ao perceber que o saber não acaba

E mesmo quando eu deixar de existir
Alguém há de querer saber de mim
perpetuando assim a renovação da alma

W.O.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Vazio, solidão...esquecido de mim mesmo;
Como um rei destronado, um viajante sem rumo, procurando no silêncio uma resposta, às vezes, nem a pergunta eu sei.
A incerteza e busca por uma causa, por uma senda, pelo conhecimento do eu.
cada dia é uma tortura, uma saudade de ontem, tento em vão recuperar o tempo, tento e não consigo,a luta não parece justa, luto contra forçãs invisíveis;Sinto que minhas forças se esgotam e apesar da pouca idade me sinto velho, a apior velhise, com certeza, deve ser essa; De perceber no espelho a juventude e sentir no espírito o ócio dos velhos.
Hoje, o presente não me anima e o futuro me deixa triste.
Melancolia! Estende sobre mim tua asa...
Mas ainda há uma coisa que pode me deixar com esperanças...A promessa de cada arrebol, o dia que depois de cada noite vem surgir e configura uma nova chance para esse mundo; e quando da minha memória nada mais exister, quando o pó, talvez, minh última herança rodear em volta do orbe, Ainda aí um novo espírito inconformado como o meu, uma nova alma incerta, seja publicando versos, seja cantando, não importa; Quando essa alma se manifestar de alguma forma, aí então ainda estarei gritando que mesmo em pó continuo incomformado.