domingo, 4 de dezembro de 2011


Tudo é silêncio

É tudo tão calmo e respiro profundamente

As imagens se sucedem, tão claras, tão nítidas

Posso até sentir o teu cheiro...ah! que cheiro

É doce o sabor da minha amada

Agora estou só... não sei onde ela está,

Pelo menos fisicamente, não sei onde ela está;

Sei, somente, e por hora é bastante,

Que algo que é dela está aqui, quando a imagino

Poso dizer até que é ela, seus olhos, seu corpo, seu cheiro até eu percebo,

Sim, a tenho aqui comigo, sorrindo, de alguma coisa qualquer.

E vou sorrindo junto com ela e experimento nesse momento

Todas as sensações felizes

Nos teus braços me transfiguro, sou muitos, sou múltiplo,

E todos sedentos, ávidos por te amar.

Você é quem conhece os meus caminhos

É por você os meus acordes, o meu silêncio, a minha poesia

Vou te adorando e me interrogando: Como posso te querer tanto?



















Espera

Estou sentado agora te esperando...

Os momentos que antecedem a sua chegada são instigantes

Imagino a roupa que você está usando, seus cabelos (se presos ou soltos).

Posso imaginar a forma que você anda, seus gestos, seu cheiro...

Sou imediatamente transportado ao teu encontro, como em sonho.

Ah! A sensação de te esperar e poder te imaginar ainda em casa, descendo as escadas,

Tento imaginar no que está pensando agora, enquanto vem.

Talvez, se nunca chegasse, eu ficaria assim sonhando,

Esperando o nosso encontro, assim mesmo, como quem espera uma condução.

Na ânsia que nasce da caixa mental que se abre e denuncia seu conteúdo.

Em poucos momentos estará aqui, já ouço seus passos,

E mais uma vez vai aparecer, então desperto do sonho da espera,

E entro na certeza da chegada.














quinta-feira, 1 de dezembro de 2011


Certeza
Tão certo quanto à superfície rígida
que eu piso nesse instante
Tão certa quanto à pontaria certeira de um perito
Tão desconhecidamente certo quanto o céu, a imensidão e o espaço (infinito).
Tão certo e sublime e real e nítido
Quanto o vento que despeça, desordenadamente,
Os pedaços de uma folha rasgada
Ou que define direções.
Certo como quem discute consigo mesmo.
Hoje, depois de mergulhado e revirado todas as minhas incertezas
volto à superfície com essa minha única certeza
são incertos meus futuros passos, meu destino, minha música e minha melodia.
É incerta a minha metafísica, meu silêncio, minha voz.
Na verdade, sou quase todo incerteza...quase todo
Certeza de verdade, só tenho uma:
que vou cantar a tua memória, que vou caminhar na sua direção...
que serei o eu mesmo, sem cortes e sem censuras, descontraidamente sussurrando...
baixinho aquela balada.
E no silêncio lento dos dias futuros..nas ruas desertas do destino na frente dos olhos
Quando o esquecimento for tão forte quanto o próprio tempo;
Guardarei a bandeira da minha certeza...hasteada...firme...visível,
Tão certo quanto a firmeza das minhas palavras,
guardarei o seu nome, de todas as máculas...
minha certeza é saber que você é certeza.
Que você passou por mim e deixou-se ficar
Colada, agarrada...e fixa...bem fixa... minha certeza.em mim.












terça-feira, 29 de novembro de 2011


Fico aqui
E eu que fico aqui, sempre aqui...
Com os olhos fixos no horizonte que me escapa
De onde um dia vi sumindo no abismo a minha estrela
E aqui fiquei, com o braço suspenso em gesto largo e o coração estreito
E tanto tempo ali fiquei ainda
Como quem espera o fim de uma farsa
Como quem espera uma gargalhada.
Em vão o apelo de uns olhos tristes
Que negam o real avidamente
Aqui estou agora como estive antes ali
E paro e olho e espero...
Os olhos que enxergam esperanças, os ouvidos que escutam as lembranças,
Na saudade do que foi e ainda é meu
Na extrema oposição do que existe em sensação, e o que foi e é distante...fisicamente
As cortinas se fecharam, o palco adormecido, o show já terminou
E eu, sentado, esperando ainda um novo ato,
Espero ainda o mesmo show
Os olhos pregados no horizonte
Olhos que viajam cada vez mais longe
Quando será enfim que eu vou?
L.

Naquele dia

Se não tivesse saído de casa naquele dia

Se não tivesse cruzado a cidade

Não vencesse a preguiça, a tristeza, o apego à solidão

Se, desatento, não percebesse as luzes, as lanternas, os caminhos...

Se fosse eu mesmo e não me dispusesse a sair

Fosse negligente aos impulsos, ignorasse o chamado

Ah! Se não fosse...

Não teria te encontrado, não teria te conhecido, não saberia de você

Não teria sonhado, nem escrito, nem cantado

Não seria quem sou.

Estaria detido, como uma carro alienado

Que não se negocia.

Seria, se não, sombra do que hoje sou

Porque encontrei vida nos seus olhos

Simplesmente vida.

Mas, felizmente saí, me venci, te encontrei,

Escrevi e cantei (descontraidamente)

Fiz de você minha musa, minha inspiração, meu repouso

Minha certeza absoluta, a “Beatrix”, que Dante jamais sonhou

Te escolhi e te escrevi, por você e por mim

E enquanto a vida me conceder continuarei te escrevendo

Cantando o teu nome...baixinho..para que ninguém escute

Não é preciso que saibam, a mim basta que você saiba

E protegerei teu nome como preciosa lembrança

Para que nunca escape de mim...

e , se algum dia teu nome me escapar

que seja por pouco tempo

e rapidamente o guardo de volta

para que um dia, como aquele dia

possa, talvez, dizê-lo ( baixinho) outra vez olhando pra você

como naquele dia.

L.

Passagem

Passaste por mim como uma eletricidade

Afiada, cortante, inesperadamente;

Por entre os labirintos de fósseis e as cruzes

Pelos alicerces e pelas estruturas metálicas

Passaste com fúria, rachando os pisos,

causando levantamentos geológicos

desorganizando, colocando tudo pelo avesso (enviesando)

E hoje, olho os fragmentos e os cacos que antes fui

Olho-os como se fossem estrangeiros a mim

Olho-os e não me reconheço ali

Olho-os com desconforto

Quem dera que aqueles pequenos “eus” que ali estão

Pudessem ser varridos para debaixo do tapete

Quem dera o “eu” pudesse ser esse novo que surgiu

Que depois de sua passagem abotoou uma nova roupa a saiu decidido pelo mundo

Esse novo é mais sincero, é mais sereno

Esse nasceu daquela passagem, daquela ventania, daquele terremoto

É esse que vou regando, vou alimentando, cuidadosamente

Esse, que sem a sua passagem seria ainda aquele

Que deixei enterrado no caminho.

Para L.

O meu motivo

Já tarde escrevi os meus versos

Faltavam-me motivos, vontade, desejo

Só agora encontrei o motivo, a vontade, o desejo

Sim, o singular motivo dos meus versos

E em cima desse sonho edificarei minhas palavras

Numa arquitetura sublime e única...

Nesse motivo desenharei e construirei meus castelos, meus templos

Decorarei, então, com luzes, pedestais e ornamentos felizes

Para que então o meu motivo entre e se sinta à vontade, se sinta especial como eu o sinto

E permanecerei zeloso na porta do templo,

para que mácula nenhuma venha manchá-lo

e falarei dele com carinho, tanto e de tal modo

que encontrarei descrença na face de quem ouve

e quando enfim, eu já for mudo

quando o tempo me alcançar, na inevitável na angústia de quem vive

o meu templo, o meu castelo, continuará ainda vivo

nos meus versos tardios, na minha voz gravada

vivo e mantendo vivo o meu motivo

motivo dos versos, motivo da vida.

L.